Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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Tocha vai a cartões postais de sete cidades, ao longo da semana

13.06.2016 - 18:35   
 oportunidade para chamar atenção para a nossa cultura indígena", Isaías Miliano, sobre a passagem da tocha (Foto: Acervo Pessoal)
 
 
Ao longo desta semana, entre 13 e 20 de junho, a chama olímpica cruzará o hemisfério – sem sair do Brasil – e passará pelos principais cartões postais de sete cidades brasileiras: Barreirinha (MA), Imperatriz (MA), Belém (PA), Macapá (AP), Santarém (PA), Boa Vista (RR) e Manaus (AM). Dessas cidades, três capitais – de Roraima, do Amazonas e do Amapá – firmaram convênio com o Ministério da Cultura (MinC) para promover ampla programação cultural. Quem acompanhar o revezamento, terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre típicas manifestações culturais, como o festival folclórico de Parintins, apreciar artesanato local e passear por sítios históricos.
 
Na passagem por Boa Vista, no sábado (18), a tocha faz roteiro tipicamente amazônico – por terra, água e ar – e chama atenção dos presentes para a cultura indígena local. Ela chegará com o paraquedista Luigi Cani, conhecido como Mestre dos Ares, na comunidade indígena Campo Alegre – zona rural de Boa Vista. Por lá, será recepcionada por cem arqueiros indígenas e um ritual da dança parixara.
 
De etnia Patamona, região do Uiramutã (divisa com a Guiana), Isaías Miliano será um dos condutores da tocha pela cidade. Isaías se destaca por ser um artista contemporâneo que trabalha com aproveitamento de resíduos descartados, de derrubadas, serrarias, marcenarias e lixo urbano. As obras geralmente retratam temas tribais e grafismo indígena da região. São peças trabalhadas em esculturas, entalhes e pinturas.
 
"Eu fico muito feliz porque é um reconhecimento do meu trabalho e das artes em geral desta região, geralmente mais esquecida. Também é oportunidade para chamar atenção para a nossa cultura indígena. Sou índio das montanhas e este é um momento importante que dá abertura para conhecer nossa culinária, nosso artesanato, nossas festas e nossas falas, que estão sendo apagadas", avalia.
 
A Celebração final do revezamento da Tocha Olímpica na capital será no mesmo espaço do conhecido "Maior Arraial da Amazônia", a Praça Fábio Marques Paracat. A tocha Olímpica encontrará por lá a fogueira junina. 

A tocha em Parintins

Parintins é cenário da disputa entre o Boi Garantido e o Boi Caprichoso (Foto: Lia de Paula)
 
   Em Manaus, no domingo (20), os presentes serão contemplados com uma das manifestações mais típicas da região: o festival folclórico de Parintins, festa anual realizada no fim de junho em Parintins (AM). O festival, que dura três dias, é uma apresentação a céu aberto de diversas associações folclóricas. Uma das disputas mais famosas é entre o Boi Garantido e o Boi Caprichoso. Os bois exploram temáticas regionais como lendas, rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos.
 
Na região, outro aspecto cultural de destaque são os modos de fazer Cuias do Baixo Amazonas. A atividade foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil.
 
Além disso, na capital amazonense, a área compreendida entre a orla do Rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas ainda mantém os aspectos simbólicos e densos de realizações artístico-construtivas. A preservação deste núcleo, que configura o coração urbano da cidade, garante a manutenção de seu patrimônio singular e integro, e inclui Manaus no rol das cidades históricas do Brasil, com tombamentos do Iphan.

O trajeto da semana

O trajeto da semana teve início nesta segunda-feira (13) ao leste de São Luís (MA), em Barreirinhas (MA), cidade famosa por ser a porta de entrada para os lençóis maranhenses. Um dos aspectos culturais mais conhecidos por lá é o artesanato de fibra de buriti, com o qual são produzidos cestaria, artigos pessoais (bolsas, sandálias, bijuterias etc.) e artigos para casa (toalhas, cortinas etc.).
 
Já na capital do Amapá, a chama olímpica será recebida, na próxima quinta-feira (16), com quadrilhas juninas, cortejo artístico de malabares e de artes circenses, apresentações de cantores regionais e shows de dança. Por lá, turistas poderão visitar a Fortaleza de São José do Macapá, erguida na época do Brasil Colônia para garantir presença portuguesa. Outras opções são os museus, como o de arqueologia e etnologia, ou o Museu Histórico do Amapá Joaquim Caetano da Silva.
 
Ao todo, a chama olímpica pernoitará em 83 municípios, totalizando aproximadamente 20 mil quilômetros terrestres percorridos. Cerca de 12 mil pessoas se revezarão na condução da tocha, cada uma por 200 metros, em média. Em 5 de agosto, a chama desembarca no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para acender a pira olímpica e dar início aos Jogos.
 
 
Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura