Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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O espírito olímpico pela cultura das nações

5.8.2016 - 8:57  
Ministro Marcelo Calero participou da abertura da exposição Frida e Eu, em cartaz no Museu Histórico Nacional, sede da Casa México (Foto: Janine Moraes/Ascom MinC)
 
 
A chegada de atletas de 206 nações para as Olimpíadas Rio 2016 traz à tona a vocação da cidade em realizar grandes eventos e mostrar a cultura nacional a turistas de diversos países. O momento também é uma oportunidade para brasileiros de outras cidades e estados conhecerem o Rio de Janeiro e alguns de seus equipamentos culturais.  
 
"Precisamos lembrar que as Olimpíadas, além de esportes, também apresentam o caráter cultural das nações. É uma oportunidade de os povos se encontrarem e se relacionarem com outras tradições e costumes. E de o Brasil mostrar suas raízes, sua alegria e seu talento", destaca o ministro da Cultura, Marcelo Calero.
 
Responsáveis por preservar a cultura de um povo, os museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) no Rio de Janeiro abrem suas portas para contar a história nacional, assim como para receber a cultura de outras nações que participarão dos Jogos, as quais transformarão a cidade em suas casas durante o período olímpico e paralímpico.
 
É o caso do México, que construirá pontes entre suas tradições e as brasileiras com a instalação da sua casa temática no Museu Histórico Nacional (MHN), de 6 a 22 de agosto. Os dois países são os únicos da América Latina a receber os Jogos. Em 1968, a Cidade do México foi sede e, neste ano, as Olimpíadas estão sendo realizadas no Rio de Janeiro. 
 
Para o diretor do MHN, Paulo Knauss, receber a Casa México é motivo de celebração. "Nossa ideia é criar, no contexto das Olimpíadas, um marco histórico de referência da presença latino-americana nos Jogos. A programação proporciona a conexão México-Brasil, mostrando a contribuição da América Latina para o espírito olímpico, além do nosso compromisso com a união dos povos, o esporte e a cultura", aponta.
 
As casas temáticas são chamadas de hospitality houses, em inglês, e se tornaram atração turística e cultural nas últimas edições das Olimpíadas, em Londres (2012) e Pequim (2008), e agora chegam ao Brasil.
 
Exposições Casa México
 
A mais expoente das mostras do Museu Histórico Nacional reúne acervo mexicano inédito no Brasil, com cerca de 120 esculturas de cerâmica com um grande sorriso e rostos delineados. Conhecidas como caritas sonrientes, as figuras compõem a exposição Magia do Sorriso no Golfo do México e são testemunhas materiais da maneira como viviam os habitantes da região de Remojadas – atual estado de Veracruz – no México durante o período Clássico, entre os anos 300 e 900.  
Exposição Magia do Sorriso no Golfo do México traz 120 esculturas de cerâmica do período clássico mexicano (Foto: divulgação)
 
 
Em outra sala do Museu, a pequena Nina, de três anos, brinca entre os ambientes que remetem à fauna e à flora mexicana, ao identificar animais em uma tela animada e em uma estrutura que remete a uma casa em um jardim. Aos cinco anos, Alice monta uma árvore genealógica com retratos antigos em preto e branco. Talvez as visitantes ainda sejam muito novas para entender a relevância artística da mexicana que dá vida ao espaço: Frida Kahlo. Uma das mais importantes pintoras do século XX, Frida é tema do encontro com o público infantil na exposição Frida e Eu, idealizada pelo Centro Georges Pompidou, localizado em Paris, na França, e pelo Ministério da Cultura do Estado de Guerrero, no México. 
 
Atrair as crianças para o espaço dos museus é a intenção da curadora Deidré Guevara. "Nós sabemos que as crianças aprendem brincando, então a exposição é lúdica e interativa. Nosso objetivo é apresentar a pintora mexicana por meio de diversos momentos de sua vida: a família, o jardim, os animais, a dor e a doença. Esses são assuntos que as crianças trazem no cotidiano, mas, aqui, vamos além ao interagir para que elas também desenvolvam alguma atividade, fechando um ciclo com a sua participação", explica. 
 
Também estão programadas as mostras México 68 - Rio 2016, que abordará o ambiente gráfico que constitui a marca das duas Olimpíadas; Guerra do Contestado – Arte e História por Hassis, sobre a história de um dos conflitos sociais mais violentos da história brasileira, ocorrido entre 1912 e 1916 em região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina; e Brasil na Arte Popular – 40 anos do Museu Casa do Pontal.
 
Programação especial 
 
Com 12 atividades especiais para o período das Olimpíadas e Paralimpíadas, cinco museus administrados pelo Ibram se destacam em um "esforço conjunto", inclusive no que tange à diplomacia cultural, conforme explicação do presidente do Instituto, Marcelo Araújo. 
 
Foi assim que se tornou possível a vinda para o Brasil das cerca de 60 obras de arte que contam a história dos Jogos Olímpicos desde sua origem na Grécia e Roma antigas. Algumas delas, com mais de 2,5 mil anos, representam atletas, objetos usados por eles, ânforas e mosaicos que retratam cenas esportivas. Elas fazem parte da mostra Os Jogos da Antiguidade - Grécia e Roma, em cartaz no Museu Nacional de Belas Artes (MnBA). As obras de arte estão reunidas pela primeira vez e vieram do acervo das dez maiores coleções de arte de museus como o do Vaticano, o Arqueológico Nacional de Nápoles, de Arte Clássica Universidade de Roma Sapienza, o Arqueológico Nacional de Atenas e os Capitolinos.  
Mostra Os Jogos da Antiguidade - Grécia e Roma traz cerca de 60 obras de arte que contam a história dos Jogos Olímpicos desde sua origem (Foto: Janine Moraes/Ascom MinC)
 
 
O ineditismo da reunião das esculturas chamou a atenção das estudantes Camila Carneiro e Lorena Ferreira, ambas de 18 anos, que passeavam pelo Centro do Rio e aproveitaram a oportunidade para conhecer mais sobre a história das Olimpíadas. 
 
"Neste período, em que a cidade se prepara para receber os Jogos, percebemos nitidamente as modificações na infraestrutura com as obras e recebemos muitas informações publicitárias. No entanto, desconhecemos o seu real sentido. Falta aquilo que te localiza em meio a tudo isso. Na exposição, a gente entende que, por causa desses atletas de séculos atrás, é que o Rio está recebendo os Jogos em 2016", analisou Camila.
 
Para a diretora do MnBA, Mônica Xexéo, a possibilidade de se compreender esse contraste histórico é uma experiência única. "Temos aqui uma raríssima e excepcional exposição de arqueologia. É possível criar um novo olhar para se fazer relações a partir do que acontecia no período Clássico, quando os jogos tinham outra conotação para a sociedade", explicou. 
 
Na Grécia, os Jogos não eram manifestações esportivas por essência. As competições nasceram no interior dos santuários como parte integrante das festas religiosas. Foi em Roma que as Olimpíadas se transformaram em um grande espetáculo diante dos olhos do mundo.
 
História brasileira em destaque
 
Para além do contexto da história dos Jogos, o período colonial brasileiro também é tema de exposição nos museus do Ibram. No ano em que o Rio de Janeiro recebe inúmeros atletas e turistas de outros países, comemoram-se os 200 anos da chegada de outro grupo de estrangeiros que mudaria para sempre o cenário das artes no Brasil.
 
Eram franceses os artistas que chegaram em 1816 para a criação de uma escola de Belas Artes, considerada fundamental em um Brasil que se estruturava ao se tornar sede da Corte Portuguesa. Dentre eles, sobressaiu-se o nome de Jean-Baptiste Debret. O Museu Chácara do Céu, localizado no bairro de Santa Teresa, traz a exposição Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil, com 75 ilustrações do período. O museu reúne o maior acervo público do pintor, com mais de 500 originais dos desenhos.  
Exposição Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil traz 75 ilustrações do artista, que chegou ao Brasil em 1816 (Foto: Janine Moraes) 
 
 
A coordenadora técnica do museu, Ana Paola Batista, explica que as ilustrações de Debret são verdadeiras aulas da história brasileira e, não à toa, aparecem na maioria dos livros didáticos em capítulos sobre o colonialismo e a escravidão. "O brasileiro têm um carinho muito grande com o artista. Encontrar seus originais traz um sentimento de reencontro, pois ele é fundamental para entendermos a nossa história", avalia.
 
A antiga conexão cultural entre Brasil e França ganha realce no contexto de Jogos. Não apenas entre eles, pois o congraçamento entre os países transcende as competições no Parque Olímpico em um retrato artístico-cultural do Rio de Janeiro e, acima de tudo, do Brasil. Confira a programação dos museus do Ibram e demais atrações realizadas pelo Ministério da Cultura no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas e Paralimpíadas
 
Passaporte Cultural
 
O Ibram firmou parceria com a secretaria municipal de Cultura do Rio de Janeiro para aderir ao Passaporte Cultural Rio. O documento, válido até setembro, garante descontos ou gratuidades nas programações dos museus Histórico Nacional, Nacional de Belas Artes, Chácara do Céu, da República, Casa de Benjamin Constant, Casa da Hera (Vassouras) e Imperial (Petrópolis).
 
No total, o passaporte oferece benefícios em mais de 700 atrações e 200 instituições e estabelecimentos comerciais parceiros da prefeitura do Rio de Janeiro, como livrarias, bares e restaurantes, espalhados por todas as regiões da cidade durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A iniciativa é uma versão ampliada do Passaporte dos Museus Cariocas, lançado em 2015 para comemorar os 450 anos do Rio. 
 
Para obter o Passaporte Cultural Rio, basta cadastrar-se neste site. O passe é gratuito para brasileiros e estrangeiros residentes no País. Turistas pagam apenas R$ 15. As pessoas que se cadastrarem podem optar entre retirar o documento em um dos postos de entrega na Cinelândia (Centro) ou no Terminal Alvorada (Barra da Tijuca) ou receber pelo Correio, sendo o frete gratuito para o município do Rio de Janeiro.
 
Lara Aliano
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura