Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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Chama e carimbó em celebração aos Jogos de 2016

14.06.2016 - 18:15  
O carimbó foi registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro (Foto: Gustavo Serrate)
 
   
 
A chama olímpica chega, nesta quarta-feira (15), na capital de uma dança secular, patrimônio cultural brasileiro: o carimbó. E é neste ritmo, com apresentação de danças folclóricas da banda Os Baioaras, que o comboio será recebido em Belém (PA), no estádio olímpico, a partir das 8h20. Além dos típicos ritmos musicais, interessados também poderão conhecer mais sobre a cidade, que tem sítios históricos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
Edson Padilha, coordenador do Baioaras, conta que o objetivo do grupo – que existe há 36 anos – é divulgar, preservar e manter danças paraenses como o carimbó. Além de levar o trabalho para escolas, o grupo se apresenta em turnês nacionais e internacionais. A cultura brasileira já foi levada pelo grupo para países como Portugal e Espanha.
 
"Não poderia ser melhor recepcionar a tocha, um símbolo de união dos povos, com música e dança regional", conta Edson. "A maior identidade do povo é sua cultura e temos, na essência, que transmitir o que o paraense é por meio da sua música e cultura", completa.
 
O carimbó foi registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, em 2014. A história dessa dança remonta ao século 17 e à região da Amazônia que corresponde ao atual Pará. De acordo com registros, o carimbó foi trazido ao Brasil por escravos negros africanos, incorporou influências indígenas e ibéricas, e deu origem a uma manifestação singular, representada por grupos que se espalham, atualmente, por vários municípios.
 
Há mais de dois séculos, o carimbó mantém sua tradição em quase todas as regiões do Pará, e tem se reinventado constantemente. Entre as características dessa manifestação estão as formas de organização e reprodução sociais em torno dele, no cotidiano de sociabilidade dos carimbozeiros, seja ele relativo ao dia-a-dia do trabalho ou das celebrações religiosas e seculares.
 
Além dos Baioaras, a programação cultural inclui apresentações da Banda de Fanfarra e do grupo de carimbó da Escola Municipal Avertano Rocha, entre outros. No Portal da Amazônia, onde será realizada a cerimônia de celebração, haverá apresentação do Grupo Folclórico Trilhas da Amazônia, Jorginho Gomes e Banda e Banda AR-15. Durante o percurso da tocha, 162 condutores se revezarão para percorrer 32 quilômetros. 

Um passeio pela história brasileira 

Igreja de Santo Alexandre conta com elementos inspirados na floresta amazônica (Foto: Rodolfo Oliveira)
 
   Em meados do século XIX, com o comércio da borracha, Belém se beneficiou com a industrialização iniciada pela Inglaterra. Nessa época, a cidade viveu apogeu econômico e cultural, entre 1890 e 1920. Surgiu, então, a Belém da Belle époque, com prédios luxuosos e toda a influência estrangeira por meio das levas de imigrantes atraídos pelas oportunidades de trabalho.  Assim como na cidade de São Luís (MA), o uso intensivo de azulejos nas fachadas, adaptados ao clima tropical úmido tornou-se um dos aspectos característicos da arquitetura civil de Belém.
 
Quem passar pela capital paraense irá se deparar com mercado, palacetes, avenidas e até um parque zoobotânico tombados pelo Iphan como Patrimônios Culturais do Brasil. A coleção arqueológica e etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi é um desses exemplos de patrimônio. A origem do museu data dos tempos do Império (1866), quando o naturalista mineiro Domingos Soares Ferreira Penna, radicado no Pará, organizou uma associação cultural para recolher e preservar coleções etnográficas e arqueológicas.
 
Outro patrimônio é o Mercado Ver-o-Peso, cujas instalações remetem ao século XVIII, quando o local era usado como mesa fiscal, onde eram pagos os impostos dos gêneros trazidos para a sede das capitanias. Na época, as canoas se refugiavam na ampla doca aberta por onde desaguava o igarapé do Piri. Acredita-se que a casa do Ver-o-Peso funcionava nas proximidades da Rua da Cadeia, na desembocadura do Largo do Palácio, em frente ao canal, entre as atuais ruas 15 de Novembro e João Alfredo.
 
Outro exemplo é a Igreja de Santo Alexandre – atual Palácio Arquiepiscopal. Erguida em 1616 pela Companhia Missionária Jesuítica, a capela ao lado do Forte do Castelo, de taipa e com um único altar, deu lugar, em 1668, a outra mais consistente, dedicada a São Francisco Xavier e construída por Cristóvão Domingos. Os jesuítas procuraram na floresta amazônica inspiração para a igreja – nela, pássaros e frutos da região substituem as folhas de acanto, cachos de uva, aves e querubins do paraíso, característicos do barroco.
 
Conheça outros patrimônios de Belém no portal do Iphan.
 
 
Cecília Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura