Cultura nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

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Canela é mais uma cidade gaúcha que recebe a chama

07.07.2016 - 18:35

A Tocha Olímpica segue seu trajeto, nesta sexta-feira (7), por diversas cidades do Rio Grande do Sul: Canoas, Esteio, Novo Hamburgo, Gramado, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Canela. Nos roteiros da programação, há atividades culturais diversas.

Em Canela, por exemplo, a passagem da tocha chama atenção para os projetos sociais realizados na região. É o caso do projeto de capoeira, do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), que atende cerca de 60 alunos, entre 7 e 16 anos, gratuitamente.  Desse grupo, 30 estudantes participarão de roda de capoeira durante o revezamento da chama olímpica.

A capoeira é uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil e, desde 2014, ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organizações das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Com o título, a prática cultural afro-brasileira que é, ao mesmo tempo, luta, dança, esporte e arte, juntou-se ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA),  Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE) e ao Círio de Nazaré (PA), também reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Para o coordenador do projeto, professor Luis Carlos da Silva Oliveira, a inclusão da capoeira nas apresentações foi muito importante, sobretudo, porque na região predomina ou são mais conhecidas as tradições dos imigrantes europeus. Para ele, o jogo de capoeira tem um simbolismo esportivo que remete ao companheirismo e ao respeito ao outro.

 "Os alunos estão muito empolgados e o fato de ter se tornado patrimônio foi algo muito positivo. Mostra o valor inestimável da capoeira, uma cultura que foi perseguida pela coroa portuguesa, considerada como vandalismo e que hoje é um instrumento educativo importante", destaca o professor.

Originada no século XVII, em pleno período escravista, a capoeira desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados, estratégia para lidarem com o controle e a violência. Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo território nacional, além de ter praticantes em mais de 160 países, em todos os continentes.

 A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira tiveram o reconhecimento do Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro em 2008 e estão inscritos, respectivamente, no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes.

Colônia italiana

Outro exemplo de manifestação cultural que fica em evidência, graças à passagem da tocha, é a colônia italiana no Sul do país. Em Caxias do Sul, por exemplo, o grupo Filó Felice Persone se reúne, desde 2001, para cantar músicas folclóricas italianas. Ele será um dos que se apresentará durante a passagem da chama olímpica pela cidade.

"A presença da imigração italiana em Caxias é marcante, se formou por meio desses imigrantes e hoje temos festas, como a Festa da Uva e a Festa do Vinho que revivem os costumes italianos", explica Sandra Bonetto, do grupo Felice.

Sandra é bisneta de italianos e herdou da família a paixão pela cultura italiana. "Meus bisavós chegaram da Itália em 1872 em busca de um futuro melhor porque lá (na Itália) havia uma crise grande e não havia mais comida. Eram professores e vieram trabalhar na agricultura", lembra.

O MinC e a Tocha

No fim de semana a tocha segue percorrendo o Sul e, no domingo, chega em Florianópolis, cidade que firmou convênio com o MinC para promover ampla ação cultural.  O projeto Celebrações nas Cidades do Revezamento da Tocha Olímpica destina aproximadamente R$ 250 mil para 15 capitais brasileiras organizarem eventos que devem, preferencialmente, ser realizados em espaços públicos de grande circulação. Os eventos ainda devem divulgar a cultura, a arte e a gastronomia locais.


Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura