O Dia do Ministro

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Sá Leitão coordena reunião sobre cessão de prédio que deve abrigar Museu da Diáspora Africana, no Rio

 
 
11.8.2017 - 17:07  
Reunião debateu cessão do prédio Docas de Dom Pedro II, no Rio de Janeiro (Foto: Janine Moraes/Ascom MinC)
 
 
O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, promoveu, na tarde dessa quarta-feira (9), em Brasília, uma reunião de entendimento entre as partes sobre a cessão do prédio Docas de Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. Projetado pelo engenheiro negro André Rebouças em 1871, a construção hoje sedia a ONG Ação da Cidadania e poderá abrigar o Museu da Diáspora Africana, que será criado em memória dos milhares de africanos escravizados que desembarcaram no Cais do Valongo durante três séculos. 
 
"A reunião de conciliação é muito importante para que possamos encontrar uma solução que permita ao governo brasileiro, representado pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), honrar o compromisso assumido junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pela conservação da memória do Cais do Valongo, recentemente declarado Patrimônio Mundial", destacou o ministro. Com o reconhecimento dado pelo Comitê do Patrimônio Mundial ao Cais do Valongo, o Brasil assumiu a obrigação legal de criar um Centro de Referência ou Centro de Interpretação que reconte a história do tráfico de pessoas escravizadas no local.
 
O objetivo do encontro, que reuniu a secretária de Cultura do município do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, representantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e os coordenadores da ONG Ação da Cidadania, Rodrigo Afonso e Daniel de Souza, foi assegurar a prorrogação da audiência destinada a analisar a ação de despejo contra a organização. A audiência estava prevista para a próxima segunda-feira (14).
 
Na avaliação do ministro, a reunião foi essencial para que as principais instituições envolvidas nesse processo tivessem a oportunidade de colocar suas considerações no que se refere à ocupação do prédio. "O Ministério da Cultura reconhece a relevância do trabalho desenvolvido pela Ação da Cidadania, fundada pelo sociólogo Hebert de Souza (o Betinho), que tanto admiramos. Da mesma maneira entendemos a dimensão histórica do Cais do Valongo. Portanto, se conseguirmos resolver essa questão entre nós será um grande avanço ao País", destacou.
 
A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, ressaltou a importância de a Unesco ter acolhido a candidatura do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial. "Atualmente existem 1.037 sítios declarados Patrimônio em todo o mundo, dos quais somente 11 são considerados sítios sensíveis, ou seja, lugares que a humanidade não pode jamais esquecer por todo sofrimento que representam". O Sítio Arqueológico do Valongo é um desses 11, juntamente com Auschwitz, rede de campos de concentração localizados no sul da Polônia, e Hiroshima, cidade japonesa devastada por uma bomba atômica na 2ª Guerra Mundial. 
 
Cais do Valongo
 
Em 2011, durante as escavações realizadas como parte das obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no período que antecedeu os Jogos Olímpicos de 2016, foram descobertos dois ancoradouros, Valongo e Imperatriz, contendo uma quantidade enorme de amuletos, anéis, pulseiras, jogos de búzios e objetos de culto provenientes do Congo, de Angola e de Moçambique. Até mesmo calçados, botões feitos com ossos e outros achados raros foram encontrados na ocasião.  
 
O Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que destaca símbolos da cultura afro-brasileira da Região Portuária do Rio de Janeiro. Ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos, o Sítio Arqueológico Cais do Valongo tem dimensão material e imaterial.  A tragédia do tráfico de africanos, fortemente representada pelo Cais do Valongo, guarda a chamada "memória sensível", que é a materialidade da dor e do medo vivido pelos seres humanos, assim como sua capacidade de sobrevivência. A memória sensível é uma lembrança vívida das consequências da negação da dignidade humana implícita no processo de escravização.
 
Por todo seu contexto, em 20 de novembro de 2013, data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, o Cais do Valongo foi declarado Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). No mesmo período, representantes da Unesco  passaram a considerar o sítio arqueológico como parte da Rota dos Escravos, sendo o primeiro lugar no mundo a receber esse tipo de reconhecimento. Ambos os eventos reforçaram a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade, título obtido neste ano.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura