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Museu Nacional é tema do desfile da Imperatriz Leopoldinense

 
 
13.2.2018 - 8:00  
Tombado desde 1938 pelo Iphan, o Museu Nacional é atualmente o maior museu de história natural e antropológica da América Latina (Foto: Divulgação)
 
 
Dinossauros, meteoritos, fósseis marinhos, plantas raras. Um retrato da nossa biodiversidade terrestre e marinha, verdadeira imersão nas ciências naturais e antropológicas, extrapolou as paredes do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e chegou à Apoteose.
 
Na noite dessa segunda-feira (12), a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, integrante do grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, levou ao sambódromo o enredo "Uma Noite Real no Museu Nacional". Em homenagem aos 200 anos do primeiro museu inaugurado no Brasil, o Museu Nacional, a escola proporcionou uma viagem fantástica pelo palácio que já foi morada de reis e rainhas e, em seguida, abriu as portas para a ciência.
 
Tombado desde 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), o Museu Nacional é atualmente o maior museu de história natural e antropológica da América Latina.
 
Ao levar o tema para a festa mais popular do País, a Imperatriz Leopoldinense desperta a população para a importância dos museus para a preservação da memória nacional, da identidade, da história e da cultura brasileiras.
 
Em comemoração aos 200 anos de museus no Brasil, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura e responsável pela gestão de 30 museus do País, prepara um calendário de eventos ao longo do ano, com uma programação especial nos museus que administra. O objetivo é tanto estimular a população a frequentar essas instituições quanto convocar o setor a debater as questões referentes a área museológica.
 
Os 3.722 museus espalhados pelo Brasil preservam 70 milhões de bens culturais e empregam cerca de 30 mil profissionais hoje cadastrados na plataforma de museus do Ibram. Entre 2014 e 2016, esses museus receberam cerca de 80 milhões de visitantes.
 
Imperatriz Leopoldina
 
A imperatriz Leopoldina teve importância fundamental na criação e concepção do primeiro museu brasileiro. Estudiosa das ciências naturais, ela trouxe na comitiva nupcial uma missão científica cujos naturalistas foram fundamentais para a instalação da ciência no país.
 
Ao homenagear os 200 anos do museu no carnaval 2018, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense – localizada na Zona da Leopoldina, região da Zona Norte do Rio de Janeiro – ainda fez uma reverência à sua patronesse. "O Museu Nacional tem sua história entrelaçada à trajetória da Imperatriz Leopoldinense, destacando que nossa patronesse, a imperatriz Leopoldina, foi, reconhecidamente, uma amante da ciência. Botânica, Mineralogia e Zoologia eram os estudos preferidos da arquiduquesa, ainda na Áustria. E, ao chegar ao Brasil, ela atuou como uma das grandes incentivadoras da criação do Museu Real, junto a seu sogro, o Rei Dom João VI", destaca o site da escola.
 
Para o diretor de carnaval da Imperatriz Leopoldinense, Wagner Araújo, o tema agradou à comunidade da escola. "Temos uma tradição em trabalhar com temas históricos e, este ano, foi especial. Tivemos sete meses de envolvimento com o Museu Nacional, fizemos ensaios técnicos na Quinta da Boa Vista, onde está o museu. Nossa comunidade se aproximou desse universo tão importante para a Cultura brasileira", destaca.
 
"Particularmente, é um momento muito interessante, em que integrantes de uma das comunidades mais carentes do Rio de Janeiro se tornaram tornar reis, rainhas, nobres. É aquela oportunidade em que uma pessoa carente encarna a figura de uma dama da corte. Isso é tocante de ser visto", pontua Araújo.
 
O carnavalesco Cahê Rodrigues, responsável pelo enredo da escola, ainda destaca: "O palácio é do povo! A Quinta do Imperador é de todos nós! O repositório do saber e da preservação se une à celebração popular da vida num encontro "antropológico" verdadeiro e essencial para nossa identidade cultural como povo e como nação".
 
História
 
O Museu Nacional foi criado por um decreto de Dom João VI, no dia 6 de junho de 1818. Nele, estava expresso que a educação, a cultura e a difusão da ciência seriam os objetivos da instituição. Duzentos anos depois, o diretor do museu, Alexander Kellner, exalta a importância da primeira instituição museológica e de pesquisa do Brasil. "A celebração dessa data deve ser da ciência brasileira como um todo. Muitas instituições científicas vieram na esteira do Museu Nacional e essa data comemorativa representa uma possibilidade de renovação e investimentos, de mais diálogo com a sociedade", afirma. A equipe do museu colaborou com a elaboração do enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense.
 
A instituição também abriga um acervo tombado pelo Iphan: a Coleção Arqueológica Balbino de Freitas, que reúne materiais construídos por populações que viveram na costa brasileira entre 8 mil anos atrás e o início da era cristã. 
 
Em 1946, o Museu Nacional foi incorporado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – na época, Universidade do Brasil. O museu mantém em seu estatuto esse caráter nacional e encontra-se vinculado ao Ministério da Educação.
 
"O Museu Nacional chega aos seus 200 anos de atuação como uma referência internacional de qualidade nas pesquisas que desenvolve, e em todas as suas atividades museológicas", afirma o presidente do Ibram, Marcelo Araújo. "Celebrar nosso primeiro e mais antigo museu é um motivo de orgulho para todo o campo museal do país, que tem na instituição carioca uma síntese de suas contribuições para a cultura brasileira ao longo desse período", acrescenta. 
 
Exposições 
 
As exposições do Museu Nacional, abertas ao público, apresentam parte dos 20 milhões de itens das coleções científicas conservadas e estudadas pelos Departamentos de Antropologia, Botânica, Entomologia, Invertebrados, Vertebrados e Geologia e Paleontologia.
 
Situados na parte sul da Quinta da Boa Vista, integram a estrutura do museu o Horto Botânico e a Biblioteca Central (com acervo de aproximadamente 470 mil volumes, entre livros, obras raras e periódicos de séculos passados). Já no Palácio, encontra-se a Biblioteca Francisca Keller, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), e possui o mais completo acervo de literatura antropológica do Brasil.
 
O museu oferece mais de 20 mostras ou exposições ao público. Ainda assim, segundo a direção do museu, a instituição teria condições de expor um material muito maior. Para isso, o museu planeja ampliar a sua estrutura física. Com um público atual de 300 mil visitantes por ano, a instituição planeja receber 1 milhão de pessoas por ano após as intervenções e reformas previstas – integrantes das comemorações dos 200 anos. 
 
Serviço 
 
O Museu Nacional (Quinta da Boa Vista, Bairro Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro) estará aberto ao público no sábado e no domingo de Carnaval, dias 10 e 11 de fevereiro, das 10h às 17h. Estará fechado de segunda (12) a quarta-feira de Cinzas (14).
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Gratuidade: crianças até 5 anos e pessoas com deficiência
Entrada gratuita, todos os dias, a partir das 16h
Telefone: (21) 3938-1100/1123
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura