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Diversidade de gênero e étnico-racial na pauta do Audiviosual

 
 
15.8.2018 - 17:54  
 
 
O estudo Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016, realizado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), revelou que 75,4% dos 142 longas-metragens nacionais lançados comercialmente em 2016 foram dirigidos por homens brancos; 19,7% por mulheres brancas e apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Naquele ano, nenhum filme foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra ou indígena.
 
É essa sub-representação, como também a ausência de dados sobre a produção audiovisual dos indígenas, que o Grupo de Trabalho (GT) Diversidade de Gênero e Étnico-racial no Audiovisual pretende remediar. O grupo se reuniu pela primeira vez nesta quarta-feira (15), na sede do Ministério da Cultura (MinC), em Brasília. A criação do GT é uma resolução do Conselho Superior de Cinema e foca em três eixos de atuação: formação de novos cineastas, incentivo e fortalecimento da cadeia produtiva e incentivo à diversidade de gênero e étnico racial na produção.
 
"Desde 2012, a Secretaria do Audiovisual do MinC vem implementado políticas públicas afirmativas com o objetivo de dirimir desigualdades raciais e promover igualdade de oportunidades no setor audiovisual. Em relação à presença de negras, negros e indígenas no audiovisual nacional, há tanto uma invisibilidade quanto a presença de estereótipos que ratificam a desigualdade étnico-racial", afirma o secretário do Audiovisual do MinC, Frederico Mascarenhas. 
 
O secretário destaca que, desde então, já houve conquistas. "O primeiro edital que estipulou cotas no setor causou muito ruído. Hoje, no entanto, esse tema já não causa desaprovação. Acreditamos no papel do Estado de intervir nessas questões e já é possível perceber que a sociedade tem outro olhar para o tema, há uma maturidade cada vez maior", observa.
 
Em 2018, foram lançados pelo MinC 11 editais voltados ao audiovisual, dos quais 10 possuem cotas para mulheres, negros e indígenas. Além disso, a 64º edição da revista Filme Cultura, que está com inscrições abertas para a seleção de artigos até 31 de agosto, tem como tema o cinema negro. As inscrições podem ser feitas neste link
 
Integrantes
 
Os membros do GT terão até dezembro para apresentarem uma proposta de política pública de promoção da igualdade de gênero e étnico-racial no setor audiovisual. Compõem o grupo, além do MinC, que preside as reuniões, um representante da Casa Civil e da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e convidados especialistas, que serão definidos a cada reunião.
 
Nesta primeira reunião, participaram como convidados especialistas Marcia Rangel Candido,  doutora em Ciências Políticas e pesquisadora do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa; Edileuza Penha de Souza, doutora em Educação pela Universidade de Brasília e pesquisadora da área de cinema, com ênfase no Cinema Negro no Brasil e no Continente Africano; e a coordenadora-geral de Promoção da Cidadania da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília, Léia Rodrigues, que é indígena da etnia Wapichana.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura