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Rogério Duarte. Brasil perde artista múltiplo e singular

 
Montagem de diversas obras de Rogério Duarte: capas de discos, cartazes de filmes. "Referência fundamental para o Movimento Tropicalista", destaca Juca Ferreira.

 

14.04.2016 - 18:31

 
Ministro Juca Ferreira lastima a partida de Rogério Duarte, "um dos mais talentosos artistas e pensadores" do Brasil, "mestre e artista de vanguarda por excelência".
 
Hoje pela manhã tomamos conhecimento de que o Brasil perdeu um de seus mais talentosos artistas e pensadores. Rogério Duarte foi múltiplo e singular. Atuou em várias frentes no mundo artístico e literário, foi poeta, músico, tradutor, escritor, designer, artista plástico, compositor e também professor. Um mestre e um artista de vanguarda por excelência. Ao lado de outros artistas como Torquato Neto, Hélio Oiticica, Ligia Clark, Glauber Rocha, Waly Salomão, Zé Celso e, naturalmente, Caetano Veloso e Gilberto Gil, marcou profundamente a minha geração e a história cultural de nosso país.
 
Rogério foi uma referência fundamental para o movimento tropicalista. Sua formação como designer gráfico foi essencial, em meados dos anos 1960, para dar ao Tropicalismo então nascente uma extensão notável para além dos territórios meramente musicais. Uma das razões do impacto duradouro do Tropicalismo foi essa junção, já prenunciada nos discos da Bossa Nova, entre a música popular e as ideias contemporâneas mais avançadas no campo da arte, do design, da tipografia, da ilustração, do projeto gráfico.
 
Experimentalista, Rogério Duarte fazia sem problemas a junção entre os elementos mais tradicionais e os mais modernos. Usando colagens, superposição de elementos, mistura de diferentes técnicas, as capas que idealizou davam o tom da experiência musical proposta no disco. Elas constituíam um vestíbulo da obra a ser fruída, e, como as obras, permaneceram. Rogério Duarte criou caminhos originais para capas de discos e livros e cartazes de filmes. 
 
Seu espírito era um espírito de vistas largas capaz de sínteses inesperadas, como a que promoveu a certa altura da vida, traduzindo do sânscrito ao português, em estrofes tipicamente brasileiras, os versos do Bhagavad Gita - Canções do Divino Mestre. Mais uma vez, Rogério nos surpreendeu com sua intuição capaz de captar, com rapidez, a essência de uma obra e recompô-la numa linguagem totalmente diversa.
 
É com imenso pesar que prestamos essa homenagem e nos unimos à família e aos amigos de Rogério Duarte pela celebração de sua vida.
 
 
Juca Ferreira
Ministério da Cultura